24 maio 2013

Champions League 2013




Acredito que a tática está por cima da qualidade individual do jogador, e mais que estudado, como está o futebol, amanhã será um grande dia para dois treinadores que o merecem. Devia mesmo haver duas taças, só para eles, até porque em coletivos tão fortes como mostraram ser, Bayern e Dortmund chegam à Final da Liga dos Campeões com estrelas maiores, os seus treinadores.

Jupp Heynkes, 68 anos, uma velha raposa do futebol europeu, atinge mais um final europeia para o seu vasto curriculum. Este Bayern é uma equipa que prima pela simplicidade. Quando vejo Neuer com a bola nas mãos sei que vai sair a jogar na defesa, que estes a vão entregar aos criativos com o objetivo de a fazer chegar aos alas ou ao Muller, para depois a entregarem ao ponta-de-lança que a encosta lá para dentro, seja Gomez, Mandzukic ou Pizarro. Ou seja, o Bayern pega na bola com a ideia de a meter na baliza, só isto, fácil. Começam o processo ofensivo com a certeza que vão fazer golo. Nem todas as equipas fazem isso, é verdade. Há aquelas que esperam na defesa pelo erro do outro, há quem troque a bola para desgastar o adversário, há os que tentam e não têm qualidade. Do meu ponto de vista, neutro, não há estilo mais simples que este.

Jürgen Klopp, 45 anos, acaba de chegar à ribalta do futebol. Já lhe era reconhecido o mérito das suas inovadoras técnicas de trabalho, mas só agora tem relevância mundial. Preparou e consolidou o sucesso da presente época com dois anos a vencer internamente (bicampeão), e, surpreendentemente ou não, volta a colocar o Dortmund numa final europeia, dezasseis anos depois. O futebol praticado pelo Dortmund assenta numa mistura entre paixão, tática e rebeldia daquela garotada. Dá-me um prazer enorme ver jogar uma equipa que não entendo quais são as posições de 4 ou 5 jogadores, e isso faz-me pensar que o treinador é um génio.

Desta forma, estarão frente-a-frente as duas melhores equipas do momento. Não me lembro de uma final da champions tão justa e merecida, e até mesmo, consensual. Primeiro pelo trajeto desde a fase de grupos, segundo pelo futebol praticado ao longo do ano, terceiro pela pujança física que apresentam neste final de época, e por fim, por eliminarem os dois colossos espanhóis, com quem toda a gente ansiava ver na grande final.

E por falar nos espanhóis, entenda-se Real e Barça, esta final já é uma vitória antecipada para o futebol. Não falo do confronto Alemanha e Espanha, mas sim de toda a envolvente ao futebol, desde os media às politicas de UEFA e FIFA. Quando o futebol parecia estar limitado a Real e Barça, eis que aparecem os alemães, cheios de alemães (sejam turcos ou polacos, não interessa, cresceram e foram lá formados), para destruir duas grandes equipas.

Quando tudo se resumia a Real e Barça, em que cada pessoa tinha de escolher um lado e não tinha sentido dizer “ganhe o melhor”, esta final faz-me acreditar que poderá vir a ser a melhor dos últimos anos. Não sei quem irá ganhar, nem sei se o jogo vai ser aquele espetáculo que toda a gente espera, é possível que não.

Vou ver o jogo de uma forma saudável, já nem sei o que é isso com tanta emoção nos últimos tempos. Apesar de ter uma preferência, quero mesmo que “ganhe o melhor”.

21 maio 2013

El Mago




Pablo Aimar, o Dez que encantou Maradona e Messi, é sem sombra de dúvida um dos poucos grandes artistas do futebol português, e um dos melhores que passaram pela Primeira Liga nos últimos anos. É o tipo de jogador que recebe a bola para jogar, a chamada receção orientada, e melhor ainda, devolve-a para continuar a jogar. Tem uma qualidade de passe curto em espaços reduzidos (pode não parecer, mas é mais difícil do que fazer passes longos) só ao nível dos génios da bola.

O que mais me fascina nele, além da receção orientada e passe curto, é a simplicidade do seu jogo recorrendo constantemente ao primeiro toque (que saudades de o ver jogar com Saviola, aquele que melhor entende a sua ideia de jogo). Quando este consegue impor o “futebol de rua” em campo, tudo parece mais fácil, e é assim que ajuda a decidir jogos, sem pressão ou malabarismos, mas cheio de talento e autenticidade.

Mas, vamos ao cinzento da bela história.

O que deu o Benfica ao Aimar? Muito! Não falando do salário (que acho inadmissível), o Benfica deu ao Aimar: uma oportunidade única, quando a carreira dele estava à beira das Arábias ou Américas; recuperou-o fisicamente, o principal motivo que o impediu de fazer muito mais; um apoio inexcedível, tornando-o no maior ídolo do palco da Luz; e uma posição de líder numa equipa que voltou a lutar por títulos. Posto isto, o Benfica deu a Aimar tudo aquilo que ele necessitava para triunfar e ser feliz dentro das 4 linhas.

Por outro lado, mesmo custando ao leitor, e se for benfiquista pior ainda, eu pergunto: o que é que Aimar deu ao Benfica?

Pouco, direi eu. Se tivermos em conta a presente época, o Benfica lutou pelo campeonato (perdendo-o por culpa própria) até à última jornada, e pela Liga Europa (derrotado na Final), com participação nula do génio argentino. Assim, até à data, e à beira de concluir o quinto ano de águia ao peito, Aimar venceu um Campeonato e quatro Taças da Liga, com a possibilidade de vencer no próximo domingo a Taça de Portugal.

No que diz respeito ao campeonato conquistado ao serviço do Benfica, não partilho da opinião generalista de que Aimar levou o Benfica ao título. É certo que foi a época com mais jogos realizados durante estes anos, com 25 jogos na Liga, sendo que no entanto 4 foram como suplente, e em 17 foi substituído. Ou seja, Aimar fez 90 minutos completos em apenas 4 jogos (4/30 jogos).

Prefiro destacar a importância de Quim, Luisão, Javi, Ramirez, Di Maria, Saviola e Cardozo na conquista de 2009/2010. Basicamente acabei de evidenciar 7 jogadores, ou seja, o Aimar tinha uma formação excelente a apoiar o seu futebol.

Posto isto, este artigo não serve para demonstrar a minha ingratidão com Pablo Aimar, não! Eu sou um fã, e acima de tudo um defensor do tipo de futebol que este pratica. A sua génese futebolista é aquela que eu adoto quando abordo o futebol. No fundo, aquilo que eu quero “medir” é o retorno que o Benfica teve ao longo destes quase 5 anos de Aimar. A única vantagem que vejo em ter Aimar, num plantel rico e competente como este, é a experiência e estaleca que incute nos mais jovens, como Rodrigo, Salvio ou André Gomes (sim, estou a dar-lhe protagonismo).

Não acho injusto não renovar com Aimar no final da época, acho sim que Aimar nunca deveria ter começado a presente.

(Nota: Mais de metade deste post foi escrito em Janeiro quando estava praticamente consumada a transferência de Aimar para as Arábias. Completei-o agora porque Aimar está recuperado, começou a ser opção mas sem relevante importância dada a sua condição física e a intensidade de jogo da equipa, e o Benfica lutou pelos títulos nacionais mais importantes e pela Liga Europa. Adiei constantemente este post porque é pouco ético criticar um jogador como Aimar, mas no fundo, o Benfica sem ele continuará igual, seja qual for o rumo.)


gloureiro

20 maio 2013

Desfecho Final




Fui um dos felizes contemplados a marcar presença no Amsterdam ArenA. Aliás, sou um feliz contemplado por ter tido oportunidade de ver uma final europeia, em especial do SLBenfica; por ter sido em Amsterdam, uma cidade que “reúne” na perfeição as condições para que haja uma grande festa (atenção às mentes perversas); e por ter sido contra uma equipa inglesa, que têm dos melhores adeptos do mundo.

Fazendo uma retrospetiva àquilo que foi a campanha europeia do Benfica, todo o adepto benfiquista se deve sentir orgulhoso desta equipa. O Benfica saiu prematuramente da Liga dos Campeões, por culpa própria e também do Barcelona (derrotado no Celtic Park). No entanto, há males que vêm por bem, e este foi um deles. Como racional que sou, ou pessimista eventualmente, o Benfica teria ficado pelos oitavos, ou com alguma sorte no sorteio, atingir os quartos-de-final. Desta forma, tivemos oportunidade de lutar por um título europeu, que nos foge há tantos anos. Não obstante, prefiro ver o Benfica a perder nos quartos-de-final do que a lutar pela UEFA.

Mas, não estou aqui para vos falar da campanha do Benfica, até porque toda a gente viu o que eu vi, e porque cada um tem a sua opinião acerca do desempenho da equipa ao longo do ano, e do desfecho menos bom.

Uma instituição como o Sport Lisboa e Benfica, com mais de 100 anos de história, conta atualmente com bons jogadores, um treinador apaixonado pelo futebol, um presidente estratega, e uma estrutura fortalecida, com resultados positivos na formação e nas restantes modalidades, nos últimos anos.

Aquilo que me faz escrever hoje, já recuperado, é a força humana dos adeptos benfiquistas. Na quarta-feira feira no ArenA, eu senti-me o melhor do mundo! Eu e os milhares de benfiquistas gritámos e saltámos mais, muito mais, que os “blues” ingleses, que observavam impávido e serenos, e surpreendidos, a devoção dos adeptos que pintavam a bancada encarnada.

Naquele momento, fomos os melhores do mundo, tenho a certeza absoluta! E não é frase feita, como “a minha mãe é a melhor de todas”. Durante dois dias que estive em Amsterdam, os adeptos benfiquistas foram os melhores do mundo. E quem o diz são aqueles que mais podem julgar, os “blues”.

Não me interessam as vitórias morais, todos sabem que o Benfica foi superior no jogo jogado, mas até à data, a sorte ainda é legal, e até aqui tudo bem. Alguém teria de ganhar, foram eles, os “blues”.

Aquilo que me interessa é o futuro, e como o nosso presidente referiu, o futuro está garantido e a nossa hora chegará. Porque com estes adeptos devotos, que foram alvo de admiração por meio estádio repleto de “blues” incondicionais; com a receção, mais que justa, ao plantel à chegada a Lisboa; e com a montra e imprensa europeia a felicitar o futebol positivo da equipa de Jesus, nenhum benfiquista se poderá lamentar pelo que quase ganhámos.

Hoje tenho uma certeza, que serve de aviso para alguns: os de lá de cima, sabem que “para o ano” já não é uma certeza; os de lá de baixo, sabem que depois de uma derrota europeia e dos “quase”, o Benfica não terá o rumo deles.

Hoje não tenho um sorriso, mas tenho uma felicidade enorme dentro de mim, e um orgulho em ser Benfiquista como nunca senti.

Parabéns, a todos os Benfiquistas!


gloureiro


10 maio 2013

VP vs JJ




No dia em que se ficou a conhecer o sucessor de Sir Alex Ferguson à frente do poderoso Manchester United, David Moyes (atual treinador do Everton), reforcei a minha vontade por me exprimir acerca da situação atual dos treinadores do S.L.Benfica e do F.C.Porto.

Deixo só aqui uma palavra de respeito a “Fergie”, agradecendo o seu contributo ao futebol. Quero também felicitar a escolha, do próprio Fergie, pelo seu compatriota escocês. Não sabemos como irá ser o futuro do Manchester, mas fácil não se adivinhará, no entanto, estou completamente de acordo com a decisão tomada.

Isto dos treinadores é um tema muito sensível, então no panorama português ganha sensibilidade a mais. À beira do desfecho final, paira uma “nuvem negra” sob o futuro de Jorge Jesus e Vitor Pereira à frente do S.L.Benfica e do F.C.Porto, respetivamente. No fundo, todo o trabalho que foi realizado em 4 e 2 anos de comando à frente dos respetivos clubes, está exclusivamente dependente do resultado no Clássico deste sábado.

Se Jesus ganhar, ou empatar e tornar-se campeão na última jornada, o universo Benfiquista fará tudo para que este continue. Será certamente um treinador à Benfica. Se por outro lado, perder, e o F.C.Porto se torne campeão em Paços de Ferreira, será considerado um treinador que ganhou um campeonato com sorte e entusiasmo inicial, e que desde então tem sido mau na gestão do plantel, falhando em momentos cruciais.

Num cenário inverso, Vitor Pereira será certamente demitido do banco portista se não for campeão. Mas, se vencer os dois jogos que faltam passa a ser uma grande incógnita… Despede-se um treinador bi-campeão? Díficil.

Quero com isto dizer que nem Jesus nem Pereira passam de sexta-feira para domingo de competentes a incompetentes.

Se fosse em Inglaterra, provavelmente os dois treinadores continuariam, fosse qual fosse a classificação final. Justifico isso com os 26 anos de Fergie no Manchester United, e 12 de Moyes no Everton.

Além disso, perspetivando os piores cenários possíveis para cada um dos treinadores portugueses, Jesus terminará o campeonato com 74 pontos (entenda-se duas derrota), e Vitor 72 (entenda-se duas derrotas). Assim sendo, tanto um como o outro seriam campeões em anos anteriores com estas pontuações, com algumas exceções obviamente.

Não tenho opinião formada/segura sobre as capacidades de ambos, só acho que o futuro destes devia estar planeado e ser coerente com o que foi feito durante os anos que tiveram à frente das respetivas equipas.


gloureiro

11 janeiro 2013

FIFA BALLON D'OR




Antes de comentar a atribuição do Prémio de Melhor do Mundo a Messi, quero esclarecer um pequeno detalhe, que atenção, está disponível a todos.
Ora, quem elege os três melhores jogadores, por votação, são:
·         Selecionadores;
·         Capitães de Seleção;
·         Grupo de Especialistas da France Football.

Posto isto, é absolutamente verdade que não é a Unicef, nem o Platini ou o Blatter, ou qualquer grupo organizado que elege o Melhor, mas sim, uma votação livre e independente onde cada votante se exprime da maneira que bem lhe apetece. Acho que está claro.
Dado a conhecer o veredicto final, só se pode ficar feliz, “triste”, ou assim-assim. Não vale a pena conspirar. Eu entendo que as pessoas já não possam ouvir falar em conspiração e corrupção, mas nem tudo é como em Portugal, nós sim somos especialistas em corrupção. O país das cunhas. O país do desemprego. O país da crise.

Há quem defenda que Xavi ou Pirlo mereciam um prémio carreira, ou que a genialidade de Iniesta deveria superar as estatísticas de Ronaldo e Messi. Gostos são gostos e não se discutem. Mas, o resultado final demonstra que Messi é eleito o Melhor por 41% dos votos, sensivelmente, o que por maioria (não absoluta) lhe permite ser consagrado. É só isso… Temos de aceitar, não há volta a dar.
A isto chama-se direito ao voto, ou democracia, ou qualquer coisa do género. Mais uma vez alerto, deixem-se de conspiração.

Tirando a vertente teórico-politica, há a parte futebolística. Não há nenhuma regra que defina que o eleito seja o melhor marcador, ou o melhor assistente, ou o melhor a dar pau. O eleito é aquele que conjuga ou maximiza, mais que os outros, toda a envolvente do futebol, dentro e fora das 4 linhas. É quem, da melhor maneira, contribui para o espetáculo do futebol.
Há ainda outra questão que me parece importante. Quando um clube vence competições, o clube é premiado. Por norma fica com uma taça/troféu para o museu e escreve o nome na história. Isto quer dizer que, se o clube vence, o clube é reconhecido. Não existe nenhuma lei que declare que o vencedor do Prémio de Melhor do Mundo seja do clube que venceu. Para que serve o colectivo? Lá por o Boavista ter sido campeão, o Martelinho ou o Fary eram os melhores do campeonato? Não creio.
Obviamente que durante muitos anos, as estatísticas, os troféus coletivos, ou a carreira poderiam ser um fator diferencial no conto final, mas parece-me a mim que era devido ao talento dos melhores estar mais nivelado do que agora, e aí sim, a menor estabilidade de época para época por parte destes propiciava a distribuição do prémio a um maior número de jogadores.

É visível em textos anteriores que não sou o maior fã de José Mourinho, e pertenço ao pequeno grupo de portugueses que não o idolatram nem se regem pelas suas ideias. No entanto, pela primeira vez estou de acordo com o Zé num aspeto. Num dos vídeos que agora passa muito nas redes sociais, “Mourinho estoura com aqueles que defendem que Messi deve ganhar a Bola de Ouro” (Quem foi estourado? Não percebi!), Zé afirma que nos “deixemos de brincadeiras”, o prémio de melhor tem de ser dado a quem merece, porque se fosse por solidariedade e beneficência havia Drogba, Etoo, Zlatan, Zanetti, etc. Coincidência, tudo ex-jogadores dele, mas estas coisas passam despercebidas a todos, não liguemos…
Assim, também aqui estou de acordo. O nome é claro - Melhor Jogador do Mundo -, deve ser entregue ao melhor, não ao mais bonito, forte, velho, profissional, e por aí.

Gostando ou não, Messi é o expoente máximo do futebol. É ele que dá seguimento ao futebol do Barcelona. É ele que desbloqueia o futebol “chato” dos catalães. “La Pulga” é no mundo do futebol aquilo que um pai quer para um filho, o talento natural.

Deixo ainda uma sugestão aos seguidores do Ronaldo. Admitam para vós próprios a posição do Messi no futebol. É talvez a única maneira de valorizarem o português, porque senão, se o Messi não for aquilo que vós pensais, um dia vão-se lembrar do Ronaldo como mais um bom jogador, que foi algumas vezes quase vencedor.
Já eu irei lembrar-me de um português como um dos maiores talentos em termos psicológicos e motivacionais que o futebol já viu, e que fez frente a um pequeno argentino… maior que Maradona.


Por fim, e no seguimento de algum comentário menos bem encaixado anteriormente, faço aqui um à parte. A expressão mais inócua e irritante que os eternos revoltados costumam difundir é a de que “é por causa de portugueses como vocês que o país está como está!”. Não, não é! O país está como está porque as pessoas roubam, desviam e sodomizam as leis do nosso país. Mas não falemos mais de Pátria e afins, está em extinção por cá.

Este artigo, mesmo sem consequência alguma, é dedicado ao Messi. Obrigado!


gloureiro

18 outubro 2012

O Leão



Previa-se um arranque bem melhor que o demonstrado por parte do Sporting, mas como disse anteriormente, não acreditava que pudessem lutar contra equipas como Porto e Benfica. Quais serão então os problemas deste plantel/equipa/instituição?

Todo o adepto, colunista ou especialista consegue identificar “o problema”, no entanto, enumero algumas decisões que possam ter contribuído negativamente para a presente temporada.

1.    Escolha do Treinador. Sempre defendi que este não era treinador para o Sporting, inicialmente por “feeling”, posteriormente por constatar os factos. O estilo pessoal de Sá Pinto fazia prever uma recuperação espantosa da equipa, que aconteceu, ao fazerem uma boa campanha na UEFA. No entanto, um treinador que só sabe transmitir para dentro de campo “Vamos”, e demonstra mais nervosismo que os próprios jogadores, raramente sabe lidar com situações do dia-a-dia, exceto quando é preciso jogar com orgulho, garra, devoção, e essas coisas (normalmente quando se está já a 8 pontos…). Por muito que custe admitir aos adeptos do Sporting, a equipa não praticava um bom futebol na UEFA, era sim extremamente eficaz, uma equipa feliz e abençoada, e com um guarda-redes de nível mundial, sim, mundial. Basta relembrar a eliminatória com o ManCity, onde a equipa contou com o “desprezo” por parte dos ingleses (surpreendidos), mas mesmo assim estiveram à beira da eliminação depois de um parcial de 3-0 a 45’ do final da eliminatória, sendo esta salva pelo São Patrício. Já com o inexperiente Melalist, o Sporting foi bastante irregular e viu o salvador defender uma grande penalidade que igualava a eliminatória. Em suma, os resultados obtidos pela equipa de Sá Pinto camuflavam a qualidade do futebol praticado, já que nas competições internas não se ganham jogos em contra-ataque e na espera do erro adversário. Posto isto, depois de uma boa campanha na UEFA, qual seria a desculpa para não continuar com o esforçado Sá? A resposta mora em Coimbra, e não é preciso ir para a Universidade…

2.    Contratação de Jogadores. Quando se contratam jogadores em final de contrato há muitas dúvidas em torno destes. Vejamos o exemplo de Labyad, Gelson, Pranjic e Boulharouz, o primeiro dou o benefício da dúvida, mas os outros, se são jogadores de seleção, porque é que ninguém os queria? (Idades? Feitios? Lesões? Qualidades?) Não se sabe, mas o Sporting quis. Depois temos Rojo, um lateral-esquerdo com qualidade para jogar numa das melhores seleções do mundo, mas também com capacidade para iludir e convencer um treinador e uma direção a adaptarem-no a defesa-central. Só ao nível dos craques. Posso estar enganado, mas as únicas reais contratações do mandato de Godinho Lopes talvez tenham sido o avançado holandês que custa escrever o nome, e Carrillo, este sim, uma descoberta do Sporting.

3.    Formação. O Sporting tem formado os melhores jogadores portugueses nos últimos anos, não só pelos que vencem fora de portas, mas também pelos emprestados e pelos que tiveram menos sorte mas jogam em equipas medianas da liga. Ainda assim, e não descurando na qualidade dos jogadores, sempre me pareceu que a aposta nos da casa era mais um plano de emergência do que uma estratégia. Vejamos, desde a chegada de Godinho Lopes, com a injeção de capital (?!), veio também uma catrefada de estrangeiros, ao jeito da direção benfiquista, e neste momento, só Patrício e Cedric são produto da “cantera” no onze inicial. Dado que Cedric, no meu ver um jogador com grande potencial, foi também este um plano de emergência devido à saída de João Pereira, qual a importância e o papel da formação que tanto os adeptos sportinguistas enaltecem hoje em dia?

4.    Direção. É simplesmente abstrato falar desta direção, visto que não se percebe muito bem quem faz e o quê.

5.    Incógnitas. Rinaudo é azarado ou tem lesões crónicas? Adrien só aguenta 45’? Que se passa com Schaars? Elias e Insúa são inconformados ou indisciplinados? Não seria melhor deixar de fora Jeffren e Izmailov para não se lesionarem? Boeck é guarda-redes ou animador de banco?

O leão está doente, irá recuperar a tempo?

gloureiro

17 setembro 2012

Liga Zon Sagres Non Stop




Como bem se lembram, no final de julho fiz uma pequena antevisão daquilo que poderia ser o campeonato português. Para já, tirando algum “desacerto inicial” pelas bandas de Alvalade, está a ir de encontro ao que era previsível. No entanto, a discussão deste artigo não é sobre quem irá ser o campeão nacional português.

Nessa sintetizada antevisão, afirmei que me interessava mais pelos principais campeonatos europeus. E estes estão realmente ao rubro, com a surpresa maior a chamar-se Real Madrid. O campeonato inglês vai, de facto, ser mais do mesmo; em Itália a Juventus continua forte, pelos vistos, com uma excelente reviravolta no terreno do Génoa; o PSG tardou em começar a vencer; e o Bayern parece querer acabar com o domínio do Dortmund.

Por sua vez, em Portugal, não houve jogos!

Mas… então mas porque é que não houve jogos???

Cada um que pense o que quiser, porque este artigo é como o campeonato português, fraco e curto.

13 setembro 2012

Coração X Razão

Beto Acosta
pmsfonseca 

27-08-2012

Sou um jovem Engenheiro que gosta de futebol, apreciador do melhor treinador do mundo (José Mourinho) e um Sportinguista convicto! É com este enquadramento e de cabeça quente que me apraz dizer estas palavras.

Há cerca de dez minutos o Sporting Clube de Portugal acabava de perder com o Rio Ave. Ontem, sensivelmente à mesma hora portuguesa, o Real Madrid perdia o seu jogo com o Getafe. Quais as semelhanças destes dois jogos? Para mim, “conhecedor-amador” do desporto-rei, residem no facto de ambos os treinadores terem tido opções tácticas duvidosas (leia-se terem dado um tiro no pé!).

Quem viu o jogo de ontem da La Liga, apercebeu-se que após o primeiro golo do Getafe e a consequente troca do Benzema por Lass Diarra, o Real Madrid conseguiu alguma superioridade no jogo, com pressão alta e ocasiões de golo. Consentida? Talvez! Inconsequente? Provou-se que sim. No entanto, o jogo desenrolava-se na íntegra no meio-campo defensivo do Getafe, o que no puxando à minha análise mais estocástica de Engenheiro se traduz numa probabilidade maior de a equipa que ataca marcar um golo.

Eis quando se dá a saída de Marcelo e a entrada de Callejon. Saída do defesa-esquerdo brasileiro para a entrada de um médio com pendor mais atacante. Na minha opinião, o tiro no pé do melhor do mundo! Ao contrário do que seria espectável (ou talvez não!), colocar mais homens na frente não significa necessariamente mais oportunidades de golo, mais pressão no adversário. No caso de ontem, o desequilíbrio do meio-campo e defesa em detrimento de mais “avançados” resultou no segundo golo do Getafe…O futebol também deve ser visto e analisado a uma escala menor porque a manta não é infinita!

Hoje aconteceu o mesmo ao Sporting! Após controlar a primeira parte de forma clara, com uma boa pressão baseada num meio-campo com mais genica e em que sofre um golo casual no futebol, ou não fossem onze contra onze, o Coração de Leão troca dois médios – Elias e Adrien – para colocar outros dois mais frescos e, em teoria, mais atacantes – André Martins e Labyad. Pura ilusão! Apesar de fazer sentido no papel, a troca só deixou mais espaços para o Rio Ave jogar, agravados pela última substituição leonina. Mais uma vez, a visão racional e global da equipa é esquecida em troca do “meter a carne toda no assador”!


Em teoria, colocar mais “avançados” permitirá um maior pendor ofensivo e oportunidades de golo que, quase sempre, são desmentidas pela prática em que quem comanda são homens (coração) e não rabiscos num bloco de notas (razão).

                                                                                                                  pmsfonseca

24 agosto 2012

Vecchia Signora




A saída de José Mourinho de Itália, o duelo Barcelona-Madrid, a competitividade da Premier Ligue ou da Bundesliga, e ainda os poderosos milhões árabes e russos, abafaram umas das melhores ligas do mundo, senão a melhor (consoante aquilo que se goste de ver). Refiro-me à liga italiana, que nos últimos anos perdeu grande parte da sua notoriedade e visibilidade.

As razões são imensas, tais como os argumentos para se acompanhar este campeonato, mas foco-me essencialmente na reaparição da Vecchia Signora, a Juventus, o maior clube italiano e, esse mesmo, que foi despromovido à Serie B em 2006 por corrupção.

Desde então, a Juve passou por um processo de reconstrução do plantel, fazendo um 3º lugar em 07-08, 2º em 08-09, e nos dois anos seguintes 7º classificado. Na época passada, a Juve reforçou-se bem e acima de tudo inteligentemente. Buffon fez a época toda sem lesões. Barzagli e Bonucci estiveram em bom plano, bem como o patrão Chiellini. Vidal veio fortalecer o meio-campo e apoiar Marchisio. Vucinic foi o farol no ataque, sempre bem acompanhado ora por Matri, ora por Borriello ou Quagliarella. Esta equipa contava ainda com Pirlo e Del Piero…

Com um plantel que conciliou arte e classe com luta e humildade a Juve chegou ao fim da época com 23 vitórias e 15 empates, sagrando-se campeã e sem derrotas. Marcou ainda presença na final da Coppa d’Italia, perdendo para o Nápoles. Com Antonio Conte ao comando, treinador da casa ao estilo de Guardiola no Barcelona, a Juve contou ainda com o ambiente positivo em torno do novo estádio e com os seus aficionados sempre exigentes. No fundo, a equipa reuniu um conjunto de fatores que lhe permitiu lutar insaciavelmente pelo tão aguardado título.

Sendo assim, o que se pode esperar desta Juve para a época 12-13?

Provavelmente é a equipa mais bem posicionada para vencer a Serie A. Enquanto o Milan perdeu as suas grandes referências (Zlatan, Thiago e Cassano), e o Inter não ultrapassou o trauma da saída de José Mourinho com contratações de jogadores sem nexo, a Juve está numa posição privilegiada para renovar o título de campeão italiano.

A única dúvida, ou, a grande expetativa, é saber até onde pode chegar esta equipa na Champions League?!

A entrada de Asamoah e Isla, dupla da Udinese, vem dar grande qualidade às asas do extasiante 3-5-2. Falta, no entanto, um “nome” para o ataque. Primeiro porque na Champions só a presença de um grande jogador intimida, posição que Matri e Quagliarella não têm, e Giovinco ainda não atingiu o ponto; segundo porque Del Piero não renovou contrato e era um jogador que sacava da cartola um “golito” em jogos fundamentais.

Llorente, Suarez, Cavani, Negredo ou Dzeko seriam boas opções. Descartado Van Persie, transmite a ideia que a Juve não tem poderio financeiro para lutar por um “Ponta” de top-5. Como os italianos são muito pouco recetivos a aventuras latinas e outros mercados externos, se calhar ficam-se por um avançado do campeonato interno ou seguem assim mesmo.

Depois da conquista da Supertaça Italiana, é com grande expetativa que se vai acompanhar a trajetória desta equipa, e como vai ultrapassar o facto do seu explosivo e inaudito treinador estar a cumprir 10 meses de castigo…

31 julho 2012

Treinador de Bancada




“Mais uma moeda, mais uma volta!”, como uma criança num carrossel.

Mais uma pré-epoca, mais um campeonato que aí vem.

Passam-se os anos, e a expectativa é a mesma para ver qual dos 3,5 grandes está melhor preparado. Pessoalmente inquieta-me mais ver a resposta de Milan e Inter ao que a Juve fez na época anterior; ou como irá ser o campeonato, competitivo, inglês; ou se o Real vai voltar a revalidar o título; ou ainda, até onde vão Dortmund e PSG na prova rainha da europa.

Posto isto, como o que tem mais “eco” é o torneio do garrafão de Portugal, vou fazer aqui uma descrição, rápida e simples, da organização e da imagem que passa para fora, dos clubes em Portugal.

F.C. Porto – Foram campeões, são a melhor equipa, em todos os níveis, sendo que o mais importante é a organização que se respira. São o candidato número um nas probabilidades do título nacional. Como adepto de futebol, aprecio a forma de trabalhar neste clube. Certamente que o fraco mediatismo, dos três grandes é o que menos impacto tem, ajuda a trabalhar. Facilmente se explica, são campeões e é o clube de que menos se fala, fantástico para eles porque só transmite tranquilidade. Vendem na altura certa, e se o entenderem, e como diz o seu presidente, têm 4-5 jogadores substitutos para a eventualidade. Neste clube tudo é pensado, e tudo está planeado há muito. Os handicaps, no meu ver, continuam a ser o treinador, e a possibilidade de perderem o Moutinho, já que um jogador de meio-campo não se substitui no curto prazo como um ala ou um avançado. - 45% de hipóteses ao título

S.L. Benfica – Os grandes perdedores da liga passada, e os eternos pressionados. Contrariamente ao Porto, o Benfica luta contra si próprio, contra os media e contra os adeptos. Depois de uma época boa, com a presença nos quartos-de-final da Champions e uma excelente prestação; a Taça da Liga, que não tem valor para os que a perdem, mas é assim que se ganham títulos; e um bom campeonato, que só não foi ganho por obra do Espírito Santo, e quem sabe de Jesus, o Benfica parte para esta época com a corda ao pescoço, e sem identidade. Sim, para mim este clube está completamente desorganizado. Tanto é inadmissível andarem com 35 jogadores atrás para a Polónia ou França, como as experiências que se fazem já que no final de Agosto vai tudo recambiado (empréstimos), e é ainda inadmissível deixarem acontecer novamente, visto que esta pré-epoca está a decorrer da mesma forma que no ultimo ano. Notícias frescas, mais um médio ala (Salvio). Por alto, consigo contar 15 jogadores para 3 posições (diga-se, 1 avançado e 2 alas), sendo que o aceitável são 7 jogadores. 30% de hipóteses ao título

S.C. Braga – Admito que de época para época nunca acredito na equipa de Braga. Mesmo depois do segundo lugar em 09-10, não esperava que se mantivessem no topo, e isso é um sinal claro de que acima das boas apostas em treinadores e jogadores, o clube está a ser bem gerido e com boas bases, o que perspetiva um crescimento sustentável. No entanto, ainda não chega para ser campeão, parece-me, talvez com mais 3 ou 4 anos a lutar pelos lugares cimeiros o consigam. A mudança de treinador foi estranha e repentina, o que contradiz um pouco com a organização que o clube mostra, mas a rápida e prevista substituição de treinador foi bem conseguida. Peseiro provou, na época com o Sporting, ser um dos melhores treinadores portugueses, quem sabe com menos pressão e com mais experiência consiga fazer um excelente trabalho. Ainda assim, num país como o português é difícil ganhar sem ser influente. 5% de hipóteses ao titulo

Sporting C.P. – Este ano o Sporting está mais forte, e vai fazer melhor. Isto porque me parece que a maioria dos adeptos, mesmo acreditando, já aceitam o facto de a equipa ter de evoluir com calma, e que neste momento não pode lutar contra uma equipa como o Porto. No entanto o Sporting é uma equipa que anda muito bem ao sabor do vento, e eu arrisco-me a dizer que se à 5ª ou 6ª jornada não estiverem já arredados (como é costume nos últimos anos), Sá Pinto consegue reunir as tropas e fazer uma excelente época. Mas, o vento varia, e esta equipa é muito instável, logo, existem ainda muitas dúvidas sobre a sua capacidade. Sendo assim, prevejo um bom início de época, e com a experiencia dos jogadores contratados, conciliada com a rebeldia de Capel e Carrillo acredito que o Sporting incomode muito mais os seus rivais na época que se segue. 20% de hipóteses ao título

Em suma, espera-se uma época equilibrada como a anterior, e quem sabe a mais competitiva desde 04-05, altura em que Mantorras ganhou o campeonato português. Nota importante, Benfica ou Braga, ou ambos, poderão ficar para trás na primeira jornada. Terá influência?

gloureiro

20 julho 2012

Croquetes

Edward Norton (Chefe dos Escuteiros)- Moonrise Kingdom


Quem é o gloureiro?
Anda por aí o rumor de que o Loureiro é um heterónimo meu. Desde já, queria agradecer o facto de vos passar pela cabeça o facto de eu ter capacidades para ter um heterónimo, mas não. O Loureiro é meu amigo e eu sei que ele existe porque já o vi a falar com outras pessoas. 

O dia em que eu começar a escrever por heterónimos, internem-me num hospital psiquiátrico e façam-me um teste sanguíneo para opiáceos. Adiante. 

Ciclovia e Óculos de sol Tapa-feias
Já viram as ciclovias recentemente colocadas em algumas avenidas de Lisboa? Pronto, eu queria deixar aqui um apelo, mesmo não tendo o hábito andar de bicicleta. 

Eu sei que é muito engraçado andar numa recta, e tipo conseguir vislumbrar o nosso destino, o nosso objectivo final. Mas os velhos com andarilhos, os obesos mórbidos, os carrinhos de bebé, as snobs com malas de rodinhas e as velhas com a malita das compras têm que sair.

Tapa-Feias Clássico

Outra coisa que mete nojo é ver pessoas de óculos de sol dentro do metropolitano (ou outros locais fechados e sem luz solar abrasadora). 

Eu percebo, acham que ficam mais bonitas, passaram meia hora em frente ao espelho antes de sair de casa e não querem deitar tudo a perder por um simples metro. Mas os óculos são apenas um acessório, a beleza não se pode comprar, nada pode imitar a beleza natural. Já dizia aquele famoso: quem é, é. 
E ir para discoteca com óculos de massa? É a coisa mais pretensiosa à face da Terra a par deste blogue, deixem-se disso.

Envolvem-se em mistério por detrás de uns óculos de sol gigantes e depois quando os tiram é aquele susto. Quem é, é… 


O meu onze para o Europeu 2012




Casillas     Um bloco de gelo. Não me lembro de o ver a cometer um único erro e de cada vez que era filmado só dava para ver confiança e concentração máxima.


Pepe        Exterminador Implacável 2012.


Hummels  A última aplicação da Apple, um defesa central com tecnologia de ponta e multifunções. O Kaiser está de volta.


Alba      Iniciativa, mentalidade vencedora e muita coragem naquela que é uma das posições mais importantes do futebol moderno. Excelente campeonato para o Coentrão.


Debuchy    Um dos melhores jogadores da equipa francesa, um exemplo de atitude numa equipa que pareceu não mostrar tudo aquilo que poderia ter feito.


De Rossi     Gladiador. O Russel Crowe deste Europeu. É sempre bom ver um jogador que ganha milhões a lutar, correr, rematar e sofrer como se não houvesse amanhã.


Pirlo          É triste ver a surpresa dos comentadores e dos críticos ao verem Andrea Pirlo a jogar assim tão bem. Por um lado demonstra que não estão atentos ao mundo do futebol, porque Pirlo não jogou nem mais nem menos do que aquilo que jogou este ano na Juventus (onde foi campeão sem derrotas). Por outro lado gostam sempre de referir que apesar de já não ser novo ainda joga muito bem. Pirlo sempre foi o tipo de jogador em que a mente se sobrepõe ao físico, não era agora que iria ser diferente. Continuam com a velha mania dos jogadores de Championship Manager de começar a excluir os jogadores a partir dos 30 anos.


Iniesta       O Feiticeiro de Oz, um autêntico abre-latas. Foi mais do mesmo.


Dzagoev    O melhor nesta posição pela sua dinâmica e pelo facto de Nani ainda continuar com um papel algo secundário na selecção portuguesa. Pode dar muito mais à equipa.


Cristiano  O jogador feito em laboratório com todas as partes montadas e bem optimizadas. Teve uma evolução crescente ao longo do Europeu e fiquei surpreendido com as críticas depois do jogo com a Dinamarca. Um jogo em que se movimentou muito bem e com muita inteligência falhando apenas na finalização apenas por excesso de ansiedade, nada mais.


Klose         Dos jogadores com mais impacto na equipa. Poderia ter escolhido outros, mas ele e o Fernando Torres foram os únicos com capacidade para mudar a dinâmica da equipa, quer seja jogando a titulares, seja a sair do banco de suplentes. Quando entrou contra a Itália, o jogo da Alemanha mudou brutalmente.


Vicente del Bosque        Começou com uma decisão corajosa ao convocar Fernando Torres, que acabou por ser a decisão mais acertada. Parece que esperou pela final para calar os críticos de uma vez por todas, com um jogo perfeito, sem uma única falha. Sacava os jogadores do banco com uma pinta do caraças, um autêntico manipulador de marionetas.



Cinema de Verão

Moonrise Kingdom – Mais um de Wes Anderson, depois de ver “The Royal Tenenbaums” (2001) e “The Darjeeling Limited” (2007) só posso esperar o melhor de um filme com Ed Norton, Bruce Willis, Jack Schwartzman, Harvey Keitel…



Bane (Tom  Hardy) - The Dark Knight Rises

The Dark Knight Rises – Espera-se sempre o melhor de Chris Nolan, mas ele consegue sempre ultrapassar as espectativas. Marion Cotillard e Tom Hardy a fazer de vilão, no meio de tantas bestas cinematográficas. Para mim, o filme mais esperado do ano.



The Bourne Legacy – Não gostei da ideia de fazerem um filme extra sem a principal estrela, depois da melhor trilogia de filmes de espiões de sempre. Mas o teaser/trailer está muito bom e num filme com Ed Norton e Jeremy Renner tenho de dar no mínimo dos mínimos o benefício da dúvida. 


03 julho 2012

Viva a Pátria!


Finalizado o Euro 2012, é a altura em que toda a gente lança a sua farpa, e como não sou nem mais nem menos que os outros, também tenho algo a dizer.

Antes de mais, Parabéns à seleção nacional, dignificaram a sua participação.

Não vou dizer que a seleção desiludiu porque não tive tempo para fazer planos ou criar expetativas, e não vou dizer que me surpreendeu, porque de facto a mentalidade de jogo não me cola ao ecrã. Foi uma boa participação, excelente, dadas as circunstâncias.

Gosto de ver jogar seleções como a Croácia, que se divertem a jogar, ou como a Grécia, que encara melhor que ninguém a sua inferioridade, e mesmo assim lá vão passando de fase em fase. Para não falar da Itália, que consegue ter um estilo inconfundível no que se refere a tratar a bola tão bem, e tão lentamente, que até chateia como chegam tão rápido lá à frente, mas siga…
Vou falar de pátria, a palavra, o suporte, e o salva-vidas que muita gente emprega quando não tem mais por onde pegar.

Serei menos Português que o leitor por não vibrar com a seleção nacional de futebol? Sou antipatriota por não entender a braçadeira de capitão no Cristiano Ronaldo? Mas afinal, que mal tem isso?
Pátria é lutar pelo país, não é puxar por uma seleção que poucos jogadores têm a jogar em Portugal. Eu tenho um emprego em Portugal, desconto em Portugal, mesmo com um Estágio Profissional. Pátria é, ainda assim, gostar de estar em Portugal, gostar do que é nosso, de comer enchidos e queijo da serra, e sopa da mãe. Pátria não é só cantar o hino, Pátria, para mim, é ir à terra natal e ver os amigos de infância, assim como o Deco e o Liedson fazem, e o Pepe vai fazer…

Pátria é tudo aquilo que ainda não se rendeu aos interesses alheios (financeiros), é jogar na seleção de Raguebi e lavar os equipamentos ao fim do treino, ou ir aos Jogos Olímpicos com os próprios meios e sem apoios financeiros.

O leitor já reparou que neste momento, só se fala de pátria de 2 em 2 anos, coincidindo com as datas de europeus e mundiais de futebol?! Calma, em janeiro o nosso capitão nacional vai estar na luta pela “Bola de Outro” e vai-se voltar a falar em pátria.
Se a seleção nacional é o índice que mede o grau de pátria, então assumo desde já que me estou marimbando para a pátria.

Peço desculpa por gostar de quase todos os estilos de música em detrimento do Fado e do Pimba, ou por admirar mais a mentalidade do norte/centro da europa que a latina, como nós. Não sou de facto um patriota, pensarão.

Agora, não deixo de me esforçar pelos que me rodeiam, e por todos que indiretamente dependem de mim. Isso é que é pátria, fazermos algo útil e honesto por este país, com objetivos concretos, e não esperar que o Ronaldo mande mísseis para irmos para à rua fazer a festa.
Importa estabelecer aqui uma diferença, se a seleção fosse campeã eu andava na rua a festejar; não por eles, mas porque entendo que isso faça as pessoas felizes, e eu gosto disso. Eu torço pela seleção, gosto que ganhem, adorava vibrar como o faço pelo Benfica, mas infelizmente nada me liga a isso, não tenho culpa.

Pátria, é isto, um génio que recebe no mínimo 15 milhões de euros anuais, e no entanto vê a necessidade de fazer esta publicidade. Se não repararem, deixem para lá.

http://www.youtube.com/watch?v=maX8wGX-dO8

01 julho 2012

Alessandro Del Piero


Para que é que servem os maus jogadores? 

Por causa deles os grandes jogadores, os mais talentosos, carismáticos e as melhores pessoas, sobressaem-se ainda mais. Tornam-se ainda mais especiais.


1993


"Acaba aqui. O meu contrato terminou hoje. Já se sabia, mas o facto de ser oficial tem um efeito especial em mim. Não é, de modo algum, um momento triste. Já não é triste, porque quando olho para trás vejo que vivi o sonho mais belo que poderia ter sonhado.

Todas as memórias, todas as alegrias, todas as vitórias ficarão para sempre comigo, como aquela despedida, no último jogo em Turim. Tudo isto ficará para sempre no meu coração, como uma verdadeira fotografia viva que ninguém conseguirá apagar.

Vocês ficaram várias vezes à minha espera, no final dos treinos e dos jogos, à chuva e ao frio. Foram sempre fiéis. Hoje pago a minha dívida. Estou aqui para vocês, para os saudar e para vos agradecer por tudo o que fizeram.

Estou aqui para vos prestar a minha homenagem. E à camisola que tanto amo e que sempre respeitei e enchi de suor dedicado. Os jogadores passam, a Juve continua, e agora começará uma nova aventura. Mas nunca vou deixar de torcer pelo clube. Serei para sempre vosso. Um de vós.

Adeus rapazes e obrigado por tudo."

Alessandro




"It's over, my contract with the Juventus expires today.

It's old news, but still, to know that it's "official" has its effect. It's not a sad moment for me, I have no regrets or nostalgia. Not anymore. In these days I've had an opportunity to to think over everything what happened in my last black and white season, to go back in the memories and live once again the best dream I've ever had.

All the memories, all my joys and triumphs and to be honest even some recent bitter moments...I clearly see all these images today and at a certain moment they grow dim and almost dispel in that wonderful hug during my last match in Turin. This picture has it all, a picture of the moment that I want to have with me forever, a picture taken on the 13th of May and printed in my heart. Indelible.

Some time ago, before taking off for holidays, I emptied my locker in Vinovo and leaving the training camp I stopped at the spot where for many months you waited for me to have an autograph, a picture or just to shake hands... no matter whether it was scorching hot, raining or snowing. But this time it's my turn to say good bye and to thank you all like you did it for me.

Players come and go, the Juventus remains. My team mates are still there and I wish them all the best: I will always be their biggest fan. You, my fans are still there and you are the Juventus. Remains my jersey that I have always loved and will continue to love forever, I have always wanted and respected it without any dispensation or discounts. I'm happy that others can wear it after me, also and above all because number "10" since the names were put on the jersey always had my name on it. I'm happy for the player who'll be wearing it next year, I'm happy because somewhere - in Italy or in the other part of the world - right now, someone is dreaming of wearing this jersey. And I will be proud if that someone would want to trace my story, like I traced the stories of other champions, other examples, other legends.

Starting from tomorrow I won't be a Juventus player anymore, but I will always remain one of you.

Now it's time to start my new adventure. I'm enthusiastic about it like 19 summers ago.

Good bye, guys. Thank you for all."

Alessandro