No início
da presente época de futebol, discutia com uma amigo meu acerca do futuro da
equipa do Arsenal após as saídas de Nasri, Fàbregas e de Clichy. Ela dizia-me
que este ano o Arsenal ia lutar para ficar em quinto lugar na melhor das
hipóteses. Eu nestas coisas do futebol sou um romântico e na altura disse-lhe
que tinha esperanças em que o Arsenal iria ficar melhor sem eles, por
diferentes razões.
Clichy teve
uma evolução meteórica ao longo da sua carreira no Arsenal, no entanto sempre
achei que não tinha carácter para jogar ao mais alto nível, e a sua falta de
carácter ficou demonstrada ao trocar o Arsenal por outro clube inglês apenas e
somente por questões monetárias, tendo em conta de que se não fosse o Arsenal e
a fé infinita de Wenger, provavelmente ainda estaria perdido por aí numa dessas
divisões inferiores. Não me esqueço da nódoa que Clichy era como jogador no seu
primeiro ano no Arsenal, nem das vezes que enterrou a equipa nos últimos quinze
minutos da partida.
Nasri é um
grande futebolista e tem ainda uma boa margem de progressão. Acompanho-o desde
que o vi jogar pela França num torneio internacional de sub-17, juntamente com
Ben Arfa. Também este demonstrou uma grande falta de carácter ao trocar o
Arsenal por outro clube inglês, e falta de inteligência ao escolher o City, já
que o futebol dele parou e não ganhou assim tantos troféus quanto isso…
Fàbregas é um
caso à parte. Cheguei a esta conclusão após assistir a um vídeo dele na
BarçaTv, com apenas catorze anos, onde dizia que o ídolo dele era o Guardiola e
o maior sonho dele era marcar um golo pelo Barcelona no Camp Nou. Acabou por
ter que pagar uma pequena parte da sua própria transferência (aconteceu o mesmo
com Mascherano no ano passado). Aposta ganha: época livre de lesões, troféus e
regresso a casa no período de maior prosperidade desportiva do Barcelona. De
todas, esta foi a única transferência que consegui perceber logo de início.
Tenho de
reconhecer que o Arsenal apesar de não ganhar nada esta época, está a fazer uma
época milagrosa. Só o facto de ter ganho por 3-0 ao Milan na segunda mão de uma
eliminatória da Champions veio adicionar ainda mais romantismo a esta equipa: o
quase foi quase tão bom como terem passado de facto e aposto que todos os
adeptos saíram de Emirates felizes e com as expectativas ultrapassadas. Apesar
de ser uma época milagrosa, a verdade é que a equipa adaptou-se bem às saídas
das suas estrelas e está a jogar muito melhor do que no início da época. Também
foi importante a recuperação de Rosicky, um dos meus jogadores preferidos desde
que me lembro de ver a Liga dos Campeões.
Quanto ao
futuro desta equipa, não penso que van Persie seja o mais importante a longo
prazo. Era importante mantê-lo por mais uma temporada pelo menos, mas o mais
importante para o Arsenal é recuperar Jack Wilshere e mais tarde torna-lo
capitão de equipa. É inglês, joga com paixão e foi formado no clube.
Penso que este
também deverá ser o futuro do futebol moderno: apostar em jogadores formados no
clube e em treinadores com história nesses clubes: Conte/Del Piero,
Puyol/Guardiola, Schweinsteiger, Callejón, Raúl, Granero, Javier Martínez, Totti,
Steven Gerrard, Sá Pinto… É cada vez mais óbvio para mim que o orgulho por
jogar num clube dá aos jogadores aquele factor extra para enfrentar os jogos
mais importantes e os finais de temporada exaustivos.
E o futuro
passa também por livrarem-se das Maçãs Podres: jogadores talentosos,
narcisistas, contrariados, vírus capazes de infectar um balneário inteiro e
incapazes de ficar um único jogo no banco de suplentes. E não, João Moutinho não se encontra neste grupo de jogadores. É um jogador inteligente e aquilo que ele fez foi apenas gerir a sua carreira da melhor maneira, o problema é que o Porto foi o único clube disposto a pagar pela sua transferência.
Futebol à parte,
já alguma vez ouviram dizer que as pessoas não dão a devida importância aquelas
pequenas coisas que fazem toda a diferença do mundo? Pois bem: o piaçaba e o
papel higiénico são algumas delas. Pensem nisso…
12 Abril, Luís
Garcia
Não percam as cenas dos próximos episódios: matrimónio, religião, jornalismo desportivo, o politicamente correcto e o pseudo-patriotismo. Não prometo ser tão brando como nesta publicação, por isso não fiquem mal habituados, adeus...

