18 outubro 2012

O Leão



Previa-se um arranque bem melhor que o demonstrado por parte do Sporting, mas como disse anteriormente, não acreditava que pudessem lutar contra equipas como Porto e Benfica. Quais serão então os problemas deste plantel/equipa/instituição?

Todo o adepto, colunista ou especialista consegue identificar “o problema”, no entanto, enumero algumas decisões que possam ter contribuído negativamente para a presente temporada.

1.    Escolha do Treinador. Sempre defendi que este não era treinador para o Sporting, inicialmente por “feeling”, posteriormente por constatar os factos. O estilo pessoal de Sá Pinto fazia prever uma recuperação espantosa da equipa, que aconteceu, ao fazerem uma boa campanha na UEFA. No entanto, um treinador que só sabe transmitir para dentro de campo “Vamos”, e demonstra mais nervosismo que os próprios jogadores, raramente sabe lidar com situações do dia-a-dia, exceto quando é preciso jogar com orgulho, garra, devoção, e essas coisas (normalmente quando se está já a 8 pontos…). Por muito que custe admitir aos adeptos do Sporting, a equipa não praticava um bom futebol na UEFA, era sim extremamente eficaz, uma equipa feliz e abençoada, e com um guarda-redes de nível mundial, sim, mundial. Basta relembrar a eliminatória com o ManCity, onde a equipa contou com o “desprezo” por parte dos ingleses (surpreendidos), mas mesmo assim estiveram à beira da eliminação depois de um parcial de 3-0 a 45’ do final da eliminatória, sendo esta salva pelo São Patrício. Já com o inexperiente Melalist, o Sporting foi bastante irregular e viu o salvador defender uma grande penalidade que igualava a eliminatória. Em suma, os resultados obtidos pela equipa de Sá Pinto camuflavam a qualidade do futebol praticado, já que nas competições internas não se ganham jogos em contra-ataque e na espera do erro adversário. Posto isto, depois de uma boa campanha na UEFA, qual seria a desculpa para não continuar com o esforçado Sá? A resposta mora em Coimbra, e não é preciso ir para a Universidade…

2.    Contratação de Jogadores. Quando se contratam jogadores em final de contrato há muitas dúvidas em torno destes. Vejamos o exemplo de Labyad, Gelson, Pranjic e Boulharouz, o primeiro dou o benefício da dúvida, mas os outros, se são jogadores de seleção, porque é que ninguém os queria? (Idades? Feitios? Lesões? Qualidades?) Não se sabe, mas o Sporting quis. Depois temos Rojo, um lateral-esquerdo com qualidade para jogar numa das melhores seleções do mundo, mas também com capacidade para iludir e convencer um treinador e uma direção a adaptarem-no a defesa-central. Só ao nível dos craques. Posso estar enganado, mas as únicas reais contratações do mandato de Godinho Lopes talvez tenham sido o avançado holandês que custa escrever o nome, e Carrillo, este sim, uma descoberta do Sporting.

3.    Formação. O Sporting tem formado os melhores jogadores portugueses nos últimos anos, não só pelos que vencem fora de portas, mas também pelos emprestados e pelos que tiveram menos sorte mas jogam em equipas medianas da liga. Ainda assim, e não descurando na qualidade dos jogadores, sempre me pareceu que a aposta nos da casa era mais um plano de emergência do que uma estratégia. Vejamos, desde a chegada de Godinho Lopes, com a injeção de capital (?!), veio também uma catrefada de estrangeiros, ao jeito da direção benfiquista, e neste momento, só Patrício e Cedric são produto da “cantera” no onze inicial. Dado que Cedric, no meu ver um jogador com grande potencial, foi também este um plano de emergência devido à saída de João Pereira, qual a importância e o papel da formação que tanto os adeptos sportinguistas enaltecem hoje em dia?

4.    Direção. É simplesmente abstrato falar desta direção, visto que não se percebe muito bem quem faz e o quê.

5.    Incógnitas. Rinaudo é azarado ou tem lesões crónicas? Adrien só aguenta 45’? Que se passa com Schaars? Elias e Insúa são inconformados ou indisciplinados? Não seria melhor deixar de fora Jeffren e Izmailov para não se lesionarem? Boeck é guarda-redes ou animador de banco?

O leão está doente, irá recuperar a tempo?

gloureiro

17 setembro 2012

Liga Zon Sagres Non Stop




Como bem se lembram, no final de julho fiz uma pequena antevisão daquilo que poderia ser o campeonato português. Para já, tirando algum “desacerto inicial” pelas bandas de Alvalade, está a ir de encontro ao que era previsível. No entanto, a discussão deste artigo não é sobre quem irá ser o campeão nacional português.

Nessa sintetizada antevisão, afirmei que me interessava mais pelos principais campeonatos europeus. E estes estão realmente ao rubro, com a surpresa maior a chamar-se Real Madrid. O campeonato inglês vai, de facto, ser mais do mesmo; em Itália a Juventus continua forte, pelos vistos, com uma excelente reviravolta no terreno do Génoa; o PSG tardou em começar a vencer; e o Bayern parece querer acabar com o domínio do Dortmund.

Por sua vez, em Portugal, não houve jogos!

Mas… então mas porque é que não houve jogos???

Cada um que pense o que quiser, porque este artigo é como o campeonato português, fraco e curto.

13 setembro 2012

Coração X Razão

Beto Acosta
pmsfonseca 

27-08-2012

Sou um jovem Engenheiro que gosta de futebol, apreciador do melhor treinador do mundo (José Mourinho) e um Sportinguista convicto! É com este enquadramento e de cabeça quente que me apraz dizer estas palavras.

Há cerca de dez minutos o Sporting Clube de Portugal acabava de perder com o Rio Ave. Ontem, sensivelmente à mesma hora portuguesa, o Real Madrid perdia o seu jogo com o Getafe. Quais as semelhanças destes dois jogos? Para mim, “conhecedor-amador” do desporto-rei, residem no facto de ambos os treinadores terem tido opções tácticas duvidosas (leia-se terem dado um tiro no pé!).

Quem viu o jogo de ontem da La Liga, apercebeu-se que após o primeiro golo do Getafe e a consequente troca do Benzema por Lass Diarra, o Real Madrid conseguiu alguma superioridade no jogo, com pressão alta e ocasiões de golo. Consentida? Talvez! Inconsequente? Provou-se que sim. No entanto, o jogo desenrolava-se na íntegra no meio-campo defensivo do Getafe, o que no puxando à minha análise mais estocástica de Engenheiro se traduz numa probabilidade maior de a equipa que ataca marcar um golo.

Eis quando se dá a saída de Marcelo e a entrada de Callejon. Saída do defesa-esquerdo brasileiro para a entrada de um médio com pendor mais atacante. Na minha opinião, o tiro no pé do melhor do mundo! Ao contrário do que seria espectável (ou talvez não!), colocar mais homens na frente não significa necessariamente mais oportunidades de golo, mais pressão no adversário. No caso de ontem, o desequilíbrio do meio-campo e defesa em detrimento de mais “avançados” resultou no segundo golo do Getafe…O futebol também deve ser visto e analisado a uma escala menor porque a manta não é infinita!

Hoje aconteceu o mesmo ao Sporting! Após controlar a primeira parte de forma clara, com uma boa pressão baseada num meio-campo com mais genica e em que sofre um golo casual no futebol, ou não fossem onze contra onze, o Coração de Leão troca dois médios – Elias e Adrien – para colocar outros dois mais frescos e, em teoria, mais atacantes – André Martins e Labyad. Pura ilusão! Apesar de fazer sentido no papel, a troca só deixou mais espaços para o Rio Ave jogar, agravados pela última substituição leonina. Mais uma vez, a visão racional e global da equipa é esquecida em troca do “meter a carne toda no assador”!


Em teoria, colocar mais “avançados” permitirá um maior pendor ofensivo e oportunidades de golo que, quase sempre, são desmentidas pela prática em que quem comanda são homens (coração) e não rabiscos num bloco de notas (razão).

                                                                                                                  pmsfonseca

24 agosto 2012

Vecchia Signora




A saída de José Mourinho de Itália, o duelo Barcelona-Madrid, a competitividade da Premier Ligue ou da Bundesliga, e ainda os poderosos milhões árabes e russos, abafaram umas das melhores ligas do mundo, senão a melhor (consoante aquilo que se goste de ver). Refiro-me à liga italiana, que nos últimos anos perdeu grande parte da sua notoriedade e visibilidade.

As razões são imensas, tais como os argumentos para se acompanhar este campeonato, mas foco-me essencialmente na reaparição da Vecchia Signora, a Juventus, o maior clube italiano e, esse mesmo, que foi despromovido à Serie B em 2006 por corrupção.

Desde então, a Juve passou por um processo de reconstrução do plantel, fazendo um 3º lugar em 07-08, 2º em 08-09, e nos dois anos seguintes 7º classificado. Na época passada, a Juve reforçou-se bem e acima de tudo inteligentemente. Buffon fez a época toda sem lesões. Barzagli e Bonucci estiveram em bom plano, bem como o patrão Chiellini. Vidal veio fortalecer o meio-campo e apoiar Marchisio. Vucinic foi o farol no ataque, sempre bem acompanhado ora por Matri, ora por Borriello ou Quagliarella. Esta equipa contava ainda com Pirlo e Del Piero…

Com um plantel que conciliou arte e classe com luta e humildade a Juve chegou ao fim da época com 23 vitórias e 15 empates, sagrando-se campeã e sem derrotas. Marcou ainda presença na final da Coppa d’Italia, perdendo para o Nápoles. Com Antonio Conte ao comando, treinador da casa ao estilo de Guardiola no Barcelona, a Juve contou ainda com o ambiente positivo em torno do novo estádio e com os seus aficionados sempre exigentes. No fundo, a equipa reuniu um conjunto de fatores que lhe permitiu lutar insaciavelmente pelo tão aguardado título.

Sendo assim, o que se pode esperar desta Juve para a época 12-13?

Provavelmente é a equipa mais bem posicionada para vencer a Serie A. Enquanto o Milan perdeu as suas grandes referências (Zlatan, Thiago e Cassano), e o Inter não ultrapassou o trauma da saída de José Mourinho com contratações de jogadores sem nexo, a Juve está numa posição privilegiada para renovar o título de campeão italiano.

A única dúvida, ou, a grande expetativa, é saber até onde pode chegar esta equipa na Champions League?!

A entrada de Asamoah e Isla, dupla da Udinese, vem dar grande qualidade às asas do extasiante 3-5-2. Falta, no entanto, um “nome” para o ataque. Primeiro porque na Champions só a presença de um grande jogador intimida, posição que Matri e Quagliarella não têm, e Giovinco ainda não atingiu o ponto; segundo porque Del Piero não renovou contrato e era um jogador que sacava da cartola um “golito” em jogos fundamentais.

Llorente, Suarez, Cavani, Negredo ou Dzeko seriam boas opções. Descartado Van Persie, transmite a ideia que a Juve não tem poderio financeiro para lutar por um “Ponta” de top-5. Como os italianos são muito pouco recetivos a aventuras latinas e outros mercados externos, se calhar ficam-se por um avançado do campeonato interno ou seguem assim mesmo.

Depois da conquista da Supertaça Italiana, é com grande expetativa que se vai acompanhar a trajetória desta equipa, e como vai ultrapassar o facto do seu explosivo e inaudito treinador estar a cumprir 10 meses de castigo…

31 julho 2012

Treinador de Bancada




“Mais uma moeda, mais uma volta!”, como uma criança num carrossel.

Mais uma pré-epoca, mais um campeonato que aí vem.

Passam-se os anos, e a expectativa é a mesma para ver qual dos 3,5 grandes está melhor preparado. Pessoalmente inquieta-me mais ver a resposta de Milan e Inter ao que a Juve fez na época anterior; ou como irá ser o campeonato, competitivo, inglês; ou se o Real vai voltar a revalidar o título; ou ainda, até onde vão Dortmund e PSG na prova rainha da europa.

Posto isto, como o que tem mais “eco” é o torneio do garrafão de Portugal, vou fazer aqui uma descrição, rápida e simples, da organização e da imagem que passa para fora, dos clubes em Portugal.

F.C. Porto – Foram campeões, são a melhor equipa, em todos os níveis, sendo que o mais importante é a organização que se respira. São o candidato número um nas probabilidades do título nacional. Como adepto de futebol, aprecio a forma de trabalhar neste clube. Certamente que o fraco mediatismo, dos três grandes é o que menos impacto tem, ajuda a trabalhar. Facilmente se explica, são campeões e é o clube de que menos se fala, fantástico para eles porque só transmite tranquilidade. Vendem na altura certa, e se o entenderem, e como diz o seu presidente, têm 4-5 jogadores substitutos para a eventualidade. Neste clube tudo é pensado, e tudo está planeado há muito. Os handicaps, no meu ver, continuam a ser o treinador, e a possibilidade de perderem o Moutinho, já que um jogador de meio-campo não se substitui no curto prazo como um ala ou um avançado. - 45% de hipóteses ao título

S.L. Benfica – Os grandes perdedores da liga passada, e os eternos pressionados. Contrariamente ao Porto, o Benfica luta contra si próprio, contra os media e contra os adeptos. Depois de uma época boa, com a presença nos quartos-de-final da Champions e uma excelente prestação; a Taça da Liga, que não tem valor para os que a perdem, mas é assim que se ganham títulos; e um bom campeonato, que só não foi ganho por obra do Espírito Santo, e quem sabe de Jesus, o Benfica parte para esta época com a corda ao pescoço, e sem identidade. Sim, para mim este clube está completamente desorganizado. Tanto é inadmissível andarem com 35 jogadores atrás para a Polónia ou França, como as experiências que se fazem já que no final de Agosto vai tudo recambiado (empréstimos), e é ainda inadmissível deixarem acontecer novamente, visto que esta pré-epoca está a decorrer da mesma forma que no ultimo ano. Notícias frescas, mais um médio ala (Salvio). Por alto, consigo contar 15 jogadores para 3 posições (diga-se, 1 avançado e 2 alas), sendo que o aceitável são 7 jogadores. 30% de hipóteses ao título

S.C. Braga – Admito que de época para época nunca acredito na equipa de Braga. Mesmo depois do segundo lugar em 09-10, não esperava que se mantivessem no topo, e isso é um sinal claro de que acima das boas apostas em treinadores e jogadores, o clube está a ser bem gerido e com boas bases, o que perspetiva um crescimento sustentável. No entanto, ainda não chega para ser campeão, parece-me, talvez com mais 3 ou 4 anos a lutar pelos lugares cimeiros o consigam. A mudança de treinador foi estranha e repentina, o que contradiz um pouco com a organização que o clube mostra, mas a rápida e prevista substituição de treinador foi bem conseguida. Peseiro provou, na época com o Sporting, ser um dos melhores treinadores portugueses, quem sabe com menos pressão e com mais experiência consiga fazer um excelente trabalho. Ainda assim, num país como o português é difícil ganhar sem ser influente. 5% de hipóteses ao titulo

Sporting C.P. – Este ano o Sporting está mais forte, e vai fazer melhor. Isto porque me parece que a maioria dos adeptos, mesmo acreditando, já aceitam o facto de a equipa ter de evoluir com calma, e que neste momento não pode lutar contra uma equipa como o Porto. No entanto o Sporting é uma equipa que anda muito bem ao sabor do vento, e eu arrisco-me a dizer que se à 5ª ou 6ª jornada não estiverem já arredados (como é costume nos últimos anos), Sá Pinto consegue reunir as tropas e fazer uma excelente época. Mas, o vento varia, e esta equipa é muito instável, logo, existem ainda muitas dúvidas sobre a sua capacidade. Sendo assim, prevejo um bom início de época, e com a experiencia dos jogadores contratados, conciliada com a rebeldia de Capel e Carrillo acredito que o Sporting incomode muito mais os seus rivais na época que se segue. 20% de hipóteses ao título

Em suma, espera-se uma época equilibrada como a anterior, e quem sabe a mais competitiva desde 04-05, altura em que Mantorras ganhou o campeonato português. Nota importante, Benfica ou Braga, ou ambos, poderão ficar para trás na primeira jornada. Terá influência?

gloureiro